15 de abr. de 2009

É a Crise...


Essa semana numa de minhas andanças para colocar minha vida pessoal em dia, cruzei com uma simpática senhora sexagenária daquelas que puxam conversa sempre que alguém lhes sorri. Essa característica de alguns idosos me é muito simpática, me lembra a facilidade de conversa dos cariocas, e isso me remete a infancia, lembranças boas.

Mas enfim, essa conversa me levou a outros rumos, enquanto falava com aquela simpática senhora, ela me dizia o porque estáva tão distante de casa, naquele horário, e lamentava grandemente ter encontrado um serviço público com novo endereço, tendo agora de ir a outro local para resover seu problema. Enquanto ela me dizia qual era o problema que tentava resolver, cobrança exagerada de serviço básico, ela enumerava o porque era tão absurdo terem lhe cobrado tanto. Durante essa narrativa ela disse algo que soou muito engraçado, e me levou a "viajar na maionese".

"(...)eu tomo apenas um banho por dia, não durmo com ninguém então não preciso ficar me lavando(...)"

Neste ponto comecei a calcular as fortunas que gastamos depois de estar em um relacionamento estável, depilação, retoques de depilação (porque ente uma e outra seção sempre tem aqueles pelinhos rebeldes que acabam com qualquer lingerie), hidratações, manicures, esmaltes, hidratantes corporais, hidratantes para os pés (porque quando você dorme diáriamente com alguém, é conveniente que os pés estejam sempre macios e perfumados), lingeries novas e diferenciadas... e por vai.

Claro, solteiras também nos cuidados e nos mantemos sempre atrantes, mas, digamos que sem essa obrigação de "ficar se lavando"...

É possível dormir com meios horrorosos no pé sem creme pq está frio e estamos com preguiça, ou usar aquela camiseta velha de vereador, que é uma delíiiiiicia pra dormir. No inverso só fazer depilação quando há algum risco iminente de expor as pernas...e até prolongar aquela escova no cabelo, sem se importar que ele nãoe steja mais tão cheiroso quanto deveria.

Enfim, mulheres solteiras gastam menos e os maridos ainda ficam se perguntando porque a conta do cartão de crédito é tão alta, eles deveriam agradecer,imagina se as mulheres resolvessem economizar água e não ficassem "se lavando"...

26 de mar. de 2009

Egoísmo

O que faz o brasileiro seguir em frente, indiferente do que aconteça?
Sempre todo nesse assunto com as pessoas que conheço e defendo a teoria do egoísmo.
Ontem as saias (Saia Justa – GNT) trouxeram esse assunto em sua pauta, e mais uma vez pensei sobre isso, aliás, diante da tal crise econômica mundial, tenho falado muito nisso, só ainda não havia escrito sobre isso. Então lá vai.

Em todo o mundo vemos as pessoas protestarem, tomarem a dianteira de seus interesses, participando dos mais variados modos de expressão, passeatas, greves, panelaços, e por ai vai. Enquanto que nós, os pacíficos brasileiros estamos aqui, acordando diariamente indo aos nossos trabalhos, pagando nossas contas, preocupados com o rumo do dinheiro, reclamando baixinho na fila do banco sobre os juros e taxas, mas fazer o que, tem que pagar. Depois ficamos horas no transito, rumo a nossas casas, nos torturando com os comentários dos radialistas que nos avisam a cada minuto que as coisas estão complicadas, piorando, e até hilárias, como a inabilidade dos nossos governantes em contar seus próprios funcionários. A gente escura tudo isso, olha pro transito impaciente e fica torcendo pra conseguir andar, e quando anda, ah quando anda a gente troca de rádio e procura ouvir uma musica pra distrair. Vamos pras nossas casas, descansamos ouvindo o noticiário da TV, quer dizer, estamos ali mas quase nunca ouvimos, ah ouvimos sim, quando a gente vê que vão comentar sobre o gol do fenômeno, comentamos o fato, fazemos piada sobre a forma física dele, e blá blá blá...

E no dia seguinte tudo recomeça.

A gente lê nos jornais que o mundo inteiro ta protestando, e soltamos a máxima, é, brasileiro é que num reclama, fica quieto...

É isso mesmo, ficamos quietos, ficamos quietos porque nosso lema é “eu tenho mais o que fazer, tenho que trabalhar se não ninguém paga minhas contas”, é assim que reagimos, tomando conta de nossas vidas individuais, dando um jeito pra esticar o dinheiro e continuar pagando impostos absurdos, rebolando com o cheque especial pra pagar seguros, contando cada linha do saldo pra cobrir taxas, engolindo absurdos no trabalho pra garantir o salário. E se esse acabar, a gente dá outro jeito, vira autônomo, consultor, free lance ou ambulante.

E quando falamos em coletividade??? Ah a gente só se une mesmo no carnaval, ai a gente faz mágica, lindas alegorias com papel marche,conseguimos ficar praticamente um mês sem trabalhar, mas damos um jeito, pagamos as contas.

É assim que somos, nós brasileiros, somos egoístas, é puro egoísmo sim, ninguém se levanta para reclamar, e se alguém o faz, a gente acha legal, bacana, mas não se envolve. “Eu??? E se der errado e sobrar pra mim???”, passeata pelo desarmamento???? Que saco, menos uma avenida pra transitar, participar??? Pra quê? Eu não tenho arma e ninguém que eu conheça foi atingido por uma bala perdida, por isso num moro no Rio.

Por falar nisso, só pra garantir, vou dar um jeito esse ano, pegar o 13º e as férias, e mandar blindar o carro, pelo menos não vou ter de me preocupar com armas.

É isso ai, se eu fizer umas horas extras, aproveito não pego transito porque saio do trabalho mais tarde, e consigo juntar o dinheiro para a blindagem... resolvido.