30 de jun de 2008

Quanto mais precisamos do rio, mais turva tornamos suas águas.

Essa frase me veio num lampejo poético, ou será filosófico???

Bem, a questão é que é exatamente assim que agimos, na vida pessoal, corporativa e social.

Quando estamos estressados e necessitados de relaxamento e distração, simplesmente nos afastamos, nos colocamos reclusos, e surpresa, só pensamos no fato que nos aflige.

Quando a empresa está mal, precisando retomar crescimento, e encontrar uma saída para crises, o que fazemos??? Pioramos seu ambiente interno, pressionamos as pessoas, induzimos o falatório negativo pelos corredores.

Por que temos esta habilidade em fazer tudo errado, exatamente na direção contrária de nossas necessidades???

Por que não podemos procurar ajuda, facilitar o acesso de quem pode nos trazer respostas ou consolo, por quê temos de dificultar tudo???

Por que somos viciados nas mazelas de nossa humanidade, gostamos de nos sentir assim, fracos, oprimidos, derrotados. Se não curtirmos essa dor que nos impomos, não saberemos depois apreciar a tranqüilidade, a paz, a vitória. Mas ainda mais que isso, por quê impomos insuportavelmente isso as pessoas que nos cercam? Por que não podemos ao menos permitir-lhes a tentativa?

Se não queremos beber do rio, por que não podemos simplesmente nos afastar e morrer na desidratação, que mórbida necessidade temos de turvar as águas que poderiam nos salvar???

Um comentário:

Luiz Prado disse...

O raciocínio é filosoficamente impecável.

Na prática, sempre há ciclos, períodos de crise e períodos de tranquilidade.

As grandes depressões da economia podem ser consideradas como grandes depressões emocionais e psicológicas do conjunto da sociedade, também?

Msmo na história da Grécia clássica, contada de forma metafórica - como no caso de Teseu e o Minotauro -, já ocoriam esses ciclos de paz, guerras, vitórias e derrotas.

Evidentemente, em qualquer dos ciclos havia pessoas mais sábias, como você, que sabiam buscar energia e sabedoria em meio aos piores momentos.