24 de ago. de 2008

Dicas ao meu assassino


Quando eu era criança, minha mãe me castigava fazendo com que me calasse, ela me mandava ficar sem dizer uma palavra por alguns minutos, isso era a morte pra mim.

Hoje não é diferente.

Seja qual for a forma de castigo que queira aplicar-me, creia, sairei ilesa, a tortura não me atinge a menos que seja o silêncio.

Viage comigo horas a fio e não troque uma palavra sequer, se eu tomar a iniciativa, seja monossilábico. Ao compartilhar a mesa comigo, faça apenas isso, compartilhe o móvel, de resto, olhe atravéz de mim, nem sequer permita que a respiração demonstre sua presença no ressinto.

Ah, e a dica infalível, se eu perguntar o porque do silêncio, responde o mais mansamente que puder "nada, não é nada". E o olhar, esse é vital para o golpe final, ao responder, fixe seus olhos nos meus de forma vazia, com nada a expressar.

Acredite em muito pouco tempo, terei morrido, apagado qualquer lampejo de vida que reste, seja qual for a iniciativa que antes te incomodava, já não existirá mais.

Não reagirei mais sob qualquer arroubo de sorriso, piada, afeto, abraço, beijo, flor, amor, sexo ou cor. Certamente manterei-me presente por mais um tempo, tenho essa mórbida mania de velar-me, mas depois passa, e ai eu mesma enterro o corpo.

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