1 de mar de 2008

A Transparência...

Esta semana fui confrontada com os estragos causados pela falta de transparência.
Sabe, sou sempre acusada de diversos defeitos, uns que conheço, reconheço e até enalteço em mim, já outros me são apresentados, e depois de assimilados, passam a ser repensados ou acolhidos. Mas enfim quero falar sobre um dos defeitos que mais mereço, que mais procuro e que mais agradeço.

A transparência.

Agradeço, porque além da personalidade nata que me fez aceitá-lo como uma careacterística do meu caráter, alguém apresentou-me à transparência, e esse alguém foi indiscutivelmente minha mãe.

Me orgulho de carregar esta característica para todas as minhas relações. Sejam elas pessoais ou profissionais, se bem que tudo se resume ao pessoal, não há uma máquina profissional, há uma pessoa que se adápta a ações profissionais, mas ainda assim carrega o ser humano que é. Pessoal.

E eu sou isso, transparente, não há o que imaginar, basta olhar, e se restar dúvida, pergunte, porque eu jamais me furtei a uma resposta sincera. Sei desculpar-me quando ela ofende o senso de aceitação do interlocutor, mas negar-lhe a verdade, isso não sei fazer.

Houveram momentos em que lamentei não tê-lo feito, desejei aprender a desfaçatez, mas estes momentos passaram e logo confirmou-se que minha opção pela transparência foi a mais correta.

Tenho assistido a relacionamentos cada vez mais superficiais e degradados, nos mais diversos níveis de comprometimento, de meras amizades, ou contratos de trabalho a casamentos insolúveis, todos baseados num universo que beira o paralelo, de tão inconsistente por falta de transparência.

Vejo quem finja saber, o que fingem lhe contar, para que não se comprometa de forma expressiva e quem sabe trabalhosa com a busca pela saudável verdade.

E assim vai-se vivendo, uma ilusão que beira a loucura, ou a completa desfaçatez de uma vida inexistente, já que todos interpretam, ninguém sabe exatamente onde inicia-se o personagem e encerra-se o ser, que talvez já até tenha deixado de ser humano, ao ceder aos seus instintos mais modernos, o da preguiça, o de fugir á responsabilidade, o de fazer-se feliz com o que está posto, para que não se seja deposto.

Uma canção de Lulu Santos tem uma frase que se afirma a cada dia "... assim caminha a humanindade, com passos de formiga e sem vontade..." Eu acrescentaria, sem "nenhuma" vontade.

Deixo aqui um apelo a quem queira considerar essas quimeras de uma idealista. Muna-se de coragem e ao expressar seu ser nessa existência que misteriosamente é única, faça-o de forma ímpar, registre-se na eternidade como alguém que teve coragem de ser e não de se fazer.

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